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" Muito frequentemente me pego buscando explicações alternativas para o tormento que deriva da inconstância das minhas emoções; convivo em um paradoxo incessante, pois, ao passo em que me julgo capaz de entender as coisas como elas realmente são e ter uma capacidade de percepção que destoa do comum, não consigo, muitas vezes, entender o que se passa em minha própria mente.
Meu dia começa e termina em meio a um turbilhão de emoções, e até mesmo uma simples ausência do sentir, como se fosse um sentimento novo, ainda não caracterizado por um nome específico. É incrível como a perspectiva da realidade torna-se tão flexível quando submetida ao crivo das emoções; muitas vezes a vida apresenta-se como algo extraordinário, sujeita a múltiplas possibilidades e caminhos a seguir, incrível em toda a sua incerteza e efemeridade; já em outras, apercebo-me de sua extrema ausência de sentido, e de quão vazios somos nós, ao compartilharmos uma realidade que nos desagrada, resignados com as mazelas que nos cercam, inertes sob a égide de um comodismo cultuado.
O simples convívio social, que é coisa inerente a qualquer um de nós, mostra-se um desafio a ser batalhado constantemente, e o que era para ser divertido e proveitoso, acaba por se tornar tedioso e, muitas vezes, desagradável, fruto da injusta alternância entre lapsos de extrema autoconfiança e autosabotagem.
Assim, em uma tentativa de mascarar toda a situação, me sujeito a fazer o comum, o que dizem que é o certo a ser feito, muito embora esse “caminho do sucesso”, que as pessoas nos apresentam como uma fórmula para felicidade, não passe de uma ideologia que há muito vem sendo compartilhada sem sucesso.
A verdade é que, preocupados em seguirmos o percurso cartesiano para nos tornarmos “alguém na vida”, esquecemo-nos de sermos nós mesmos; o mundo de hoje massacra nossas particularidades antes mesmo tomarmos conhecimento delas.
Ainda não sei se é uma benção ou maldição ser capaz de ver o mundo sob essa lente bifocal, talvez sejam as duas, porquanto tal capacidade ajude em algumas situações, em detrimento de outras; benção ou maldição, considero-me privilegiado por perceber que, imersos nessa cultura da perfeição, afogados em um mar de superficialidade e aparência, são nossas imperfeições que nos diferenciam e nos fazem únicos; pois, se assim não fosse, não passaríamos de mais uma espécie qualquer."

Depoimento de M.M.M.

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